AEJ x AERÓBICO PÓS TREINO

AEJ x AERÓBICO PÓS TREINO
Publicado em: 02 de julho de 2016 nas categorias Artigos
AEJ x AERÓBICO PÓS TREINO

Antes de falar de cada um , precisamos entender qual a intensidade que você deve realizar cada atividade. Será que tem uma zona alvo de queima de gordura que tanto se fala por ai, e que tanto se falou nas universidades ?

A oxidação das gorduras atinge seu ponto máximo por volta dos 64% do Vo2max, intensidade considerada de leve a moderada, tornando-se insignificante a 89% do Vo2max, o que corresponde a aproximadamente 92% da frequência cardíaca máxima (Achten et al., 2002; Romijn et al., 1993). Assim, podemos dizer que quanto mais intenso for um exercício, menos gordura será mobilizada durante sua execução. SERÁ MESMO?

Por mais que o raciocínio lógico nos leve a crer que essa abordagem seja uma proposta válida, Gentil (2010) cita várias revisões e meta-análises concluindo que a priorização do metabolismo das gorduras durante o exercício (modelo aeróbio), não é a melhor estratégia para emagrecer (Ballor & Keesey, 1991; Ballor & Poehlman, 1994).

Como exemplo, podemos utilizar a comparação clássica entre o atleta de Endurance vs Velocidade. Velocistas possuem percentuais de gordura menores do que atletas de endurance (maratonistas, triatletas, fundistas), mesmo esses últimos se exercitando e competindo, quase que exclusivamente priorizando o metabolismo das gorduras (Fleck, 1983; Pipes, 1977).

Que coisa não, os caras correm maratonas, e são falsos magros, uma baixa massa magra aparente, já se comparando aos velocistas com uma massa magra mais avantajada e menor percentual de gordura. Uns fazem treinos mais longos e outros mais curtos e intensos.

Agora vamos entender o que é aeróbico em jejum.

O aeróbico em jejum, por estar em jejum por um período prolongado , não é indicado realizar uma atividade intensa, o indicado é de baixa intensidade, salve alguns casos de algumas pessoas que conseguem realizar com maior intensidade sem problema algum.

Apesar de se falar em Aeróbio em Jejum, muitas vezes são ingeridos alguns suplementos antes da realização dessa atividade no intuito de prevenir a perda de massa muscular. Para compreender onde reside a incoerência dessa prática, é preciso lembrar que a glicose é fundamental para o bom funcionamento do nosso corpo. O cérebro, por exemplo, só funciona na sua presença. Quando passamos muito tempo sem nos alimentar, a glicose sanguínea (glicemia) pode cair bastante, instaurando um quadro conhecido por hipoglicemia (McArdlle, 2008). Dores de cabeça, tontura, enjoo, náuseas, escurecimento da vista, desmaio e, em casos extremos, coma seguido de morte, são consequências da falta de glicose no sangue.
Como os estoques de glicogênio estão comprometidos pelo jejum, nosso organismo vai tentar de todas as maneiras produzir glicose e evitar as complicações causadas pela sua baixa disponibilidade. Para nossa sorte, a glicose pode ser sintetizada a partir das gorduras (triacilglicerol) e das proteínas (aminoácidos), processo chamado gliconeogênese.

Como a perda de proteínas nem sempre é um resultado desejável, algumas pessoas sugerem a ingestão de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e/ou Glutamina cerca de 30 minutos antes de iniciar o AEJ. A ideia é prover um fornecimento exógeno de substratos para a via gliconeogênica, e evitar a utilização dos aminoácidos que compõem a massa muscular (proteólise).

No entanto, a ingestão de aminoácidos numa situação de jejum e esforço, como as vivenciadas durante o AEJ, só surtirá o efeito desejado (poupar proteínas) se os aminoácidos forem convertidos em glicose. Assim, os aminoácidos, que possuem valores de comercio muito mais elevados do que os carboidratos, serão convertidos em glicose pelo nosso organismo. Sendo que pra evitar a proteólise bastaria realizar uma refeição leve no café da manhã, de modo a fornecer quantidades satisfatórias de carboidratos, excelente poupador de proteínas (McArdlle, 2008).

Outra incoerência observada na prática do AEJ é a definição de jejum. A ingestão de aminoácidos caracteriza a “quebra” do jejum. Afinal, jejum significa inanição, ausência total de ingestão calórica por um determinado período. Os ativistas que o digam. Em protestos envolvendo greve de fome, ninguém ingere aminoácidos ou qualquer outra substância! Nesse caso o termo correto não seria “Aeróbio em Jejum”. Seria aeróbio em Low Carb.

Na minha humilde opinião, é melhor fazer uma refeição leve e treinar com mais intensidade do que fazer uma atividade em jejum de baixa intensidade e o risco e muito grande para os não familiarizados a essa atividade.

Portanto, podemos concluir que a prática do AEJ não tem apoio em artigos científicos e está presa ao paradigma de que para emagrecer é preciso oxidar gorduras durante o exercício (abordagem metabólica). Na grande maioria das vezes os textos que defendem o AEJ, se apoiam na figura de um pesquisador sueco chamado Torbjorn Akerfeldt. Geralmente eles fazem uma citação direta do pesquisador, mas nunca colocam o ano da publicação entre parênteses após o nome dele. É que aparentemente, o Torbjorn Akerfeldt nunca publicou isto em revista científica. Ele publicou na "renomada" Muscle Midia na década de 1990, que está extinta. Torbjorn Akerfeldt, realmente é sueco e publicou alguns artigos científicos. Ao digitar seu nome na pubmed, foram listados nove artigos, sendo o primeiro deles em 2003. Suas publicações em periódicos científicos, em nenhum momento tratam da oxidação de gorduras ou aeróbio em jejum. A linha de pesquisa dele é processo inflamatório e proteína-C reativa.

Na realidade, estratégias para emagrecimento, devem envolver treinamento de força com exercícios resistidos associados a protocolos de treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), que estimulam a elevação da Taxa Metabólica de Repouso e mantém a oxidação de gorduras elevada, mesmo horas após sua execução (Hunter et al., 2000).

A melhor estratégia embasada cientificamente para tal objetivo é treinar alimentado para ter intensidade no treino, e executar seus cardios pós treino. Devemos prescrever baseado em ciência não em achismo ou no famoso funciona pra mim, ou também no "esse exercício pega bem"

Referências

Achten J, Gleeson M, Jeukendrup AE (2002). Determination of the exercise intensity that elicits maximal fat oxidation. Med Sci Sports Exerc. 34(1):92-7.

Ballor DL, Keesey RE (1991). A meta-analysis of the factors affecting exercise-induced changes in body mass, fat mass and fat-free mass in males and females. Int J Obes. 15(11):717-26.

Fleck SJ (1983). Body composition of elite American athletes. Am J Sports Med. 11(6):398-403.

Gentil, P (2010). Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas. Rio de Janeiro : Sprint, 2010.

McArdle, William D (2008). Fisiologia do Exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan.

Hunter G. R., Wetzstein C. J., Fields D. A., Brown A, Bamman M. M(2000). Resistance training increases total energy expenditure and free-living physical activity in older adults. J Appl Physiol 89(3):977-84.

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